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Olga de Mello

Olga de Mello

Jornalista, acredita que cultura é gênero de primeira necessidade

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Revelações de senhoras discretas

georgeeliotRespeitadíssima pelos especialistas em literatura, George Elliot é talvez a menos badalada romancista inglesa do século XIX, sem a popularidade – fora da Inglaterra, pelo menos - de Jane Austen ou das irmãs Brontë. Por boa parte da vida manteve o estado civil de solteira, mas, ao contrário das suas precursoras, viveu abertamente casos amorosos, dividindo a casa com um homem casado legalmente com outra mulher. Charmosa, mas desprovida de beleza física, ela levou para suas histórias a superficialidade das relações sociais da época, um contraste permanente com o moralismo vitoriano, como se observa em Silas Marner, o tecelão de Raveloe (José Olympio, R$ 44,90), que aborda o isolamento de um homem a quem se imputou um crime não cometido e sua reintegração à sociedade quando adota uma criança abandonada.

Pelas águas e terras da Guanabara

nasaguasdestabaiaFoi numa travessia de barco pela Baía de Guanabara que o compositor e escritor Nei Lopes percebeu “um livro em potencial” com histórias fictícias sobre as ilhas e a população que se distribuiu pela região, à beira-mar. Sob o poético título Nas águas desta baía há muito tempo (Record, R$ 42,90) estão 18 “contos da Guanabara”, com personagens reais e ficcionais em situações imaginárias, durante a Revolta da Armada (1893–1894), quando os navios de guerra apontaram canhões para a cidade do Rio de Janeiro, em protesto contra o governo republicano.

Que tal dar mais que uma folheada?

Quando chega outubro e se percebe que falta pouco para o fim do ano, brota aquela ansiedade porque parece que se perdeu tempo sem cumprir resoluções como parar de comer chocolate, emagrecer 25 quilos e ler tudo o que se pretendia quando folheou aquelas primeiras páginas de tantos e tantos livros. Os japoneses, que sabem como poucos fazer da angústia poesia, inventaram a palavra tsonduku para definir aquela pilha de livros que estão à espera da leitura. Uma de minhas pilhas reúne livros que revelam histórias pouco conhecidas – e das quais sempre vale a pena saber um pouco mais. Que tal dar mais que uma folheada?

Fazendo Eco

cronicasdeumasociedadeliquidaEm algum momento, Umberto Eco falou que a Internet dera voz aos imbecis. De certa maneira, tinha razão. Sem desdenhar o direito à livre expressão dos imbecis, ele lamentava a ressonância das bobagens que são ditas sem qualquer reflexão em conversas no botequim da esquina e reproduzidas pelas redes sociais como fruto de reflexão filosófica. O velho observador do mundo cultivava uma percepção acurada sobre a vida, demonstrada na coluna La Bustina di Minerva, publicada na revista L’Espresso desde 1985. Ali, ele comentava o cotidiano na Itália e no mundo. Pape Satan Aleppe – Crônicas de uma sociedade líquida (Record, R$ 59,90) reúne alguns desses textos, que tratam de comunicação, a dependência dos telefones celulares, racismo, ódio, religião, filosofia, envelhecer, juventude e, naturalmente, literatura.

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